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MINHA COLUNA NO BLOG DO TOTONHO - ESCRAVIZAÇÃO SUBJETIVA

Hoje saiu o meu segundo artigo como colunista do Blog do Totonho
Vale a pena ler e conhecer o blog!

Dias atrás, assisti a um vídeo do ministro Flávio Dino em que ele dissertava sobre a relação entre ódio e democracia e explicava como o ódio prejudica o sistema democrático. Achei muito interessante a abordagem, pois ela nos impulsiona às mais diversas reflexões e sobre os mais variados aspectos.
Em certa parte de sua fala, ele menciona a "escravização subjetiva", à qual grande parte de nossa sociedade acaba se submetendo em relação às redes sociais.
Atualmente, entre as maiores empresas mundiais estão aquelas que dedicam-se às redes sociais. Vivem de impulsionamentos e multiplicação de acessos, condições que fazem também com que prosperem os patrocínios e propagandas. Esse sistema de interação social acaba criando e fortalecendo a ideia de que quanto maior o número de likes, curtidas e compartilhamentos mais forte é a sensação de popularidade e de sucesso de algum perfil, e quanto mais sucesso, mais os algoritmos promovem tal perfil. O número de seguidores e de curtidas acaba sendo o termômetro do sucesso, e o conteúdo do perfil é deixado em último plano. E há canais sérios, com temas bem embasados, que pouco aparecem nos feeds das redes, enquanto que canais de conteúdo raso e pouco recomendáveis são impulsionados. E essas empresas ganham, e muito, com tais impulsionamentos.
É como se esse sistema das redes sociais fosse um mundo à parte, um mundo fantasioso, mas que, porém, essa fantasia estaria tornando-se a base da realidade de muitas pessoas. Essas pessoas então acabam submetendo-se a isso que ele chamou de "escravização subjetiva", que seria uma dependência emocional de likes e curtidas a ponto de se sentirem um nada quando não obtêm um certo quantitativo. O número de casos de depressão por conta das redes sociais tem aumentado, pois muitos que não se sentem encaixados nos modelos de beleza e de popularidade da vitrine virtual acabam por sentirem-se como "seres de outro planeta", ou seja, a fantasia acaba sobrepondo-se à realidade. Agora vejam: todos sabem que as empresas que administram as redes sociais têm seus lucros em cima da interação e, que, portanto, há venda de curtidas e de seguidores e há perfis robôs criados para interagir como se fossem verdadeiros. E agora, com a inteligência artificial, esse mundo fantasia torna-se ainda mais forte, com imagens, vídeos e notícias fakes navegando aos montes nas redes. Assim, faz-se urgente que a sociedade rompa esse "laço hipnótico" com as redes sociais, utilizando-as como excelentes ferramentas que são, porém sem perder o senso crítico, sem se submeter às engrenagens perturbadoras desse sistema. Por que alguém se comparar, por que se achar pior ou melhor que alguém em função dessa falsa popularidade imposta pelo mecanismo rentável das redes sociais? Em política, por exemplo, vimos quanto estrago, quanta injustiça e destruição a rede de mentiras e de ódio trouxe ao País. Isso porque muitos usuários das redes aceitaram a cômoda postura de receber a informação, não pesquisar sua veracidade e ainda repassá-la. Muitos usuários se deixaram levar por políticos inescrupulosos que, apesar de decadentes em sua vida real, compraram likes e curtidas para simular credibilidade. E quantos recursos financeiros gastos para estimular ódio, preconceito, discriminação e até o fim de nossa democracia!
É preciso participar das redes, porém com a consciência de que ela não é a balizadora plena da realidade, e para que tenhamos essa consciência o primeiro passo é observar, analisar e pesquisar. E estar desperto, alerta, para a realidade de que jamais o potencial de cada ser deve ser medido pelo número de seguidores e likes. Não é sua pouca ou muita exposição nas redes e a pouca ou muita receptividade dessa exposição que dirá que você é uma pessoa admirada. Se tiver vontade, interaja, mas sem jamais deixar-se submeter a esse sistema extremamente lucrativo para as empresas, porém estimulador de fantasias e perfeições inexistentes na vida real.

Luciana G. Rugani

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