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TEMOS PRESSA EM DEFINIR O FUTURO DO PAÍS

TEMOS PRESSA EM DEFINIR O FUTURO DO PAÍS
Texto de Maria da Penha Costa

Restam 15 dias até a eleição. Depois de quatro anos com um sociopata miliciano na presidência, o Brasil está muito perto de demonstrar para o resto do planeta que não perdeu totalmente o juízo e o caráter; que depois de um período de insanidade temporária, a lição foi aprendida. Custou a vida de centenas de milhares de pessoas, tirou do esgoto gente que pisa orgulhosamente em gente humilde por discordar de seu voto, tornou as armas de fogo mais comuns na sociedade (e mais fáceis de serem obtidas pelo crime organizado), destruiu a economia, trouxe de volta a inflação, tornou recorrente o assassinato motivado por discordância política, fragilizou a democracia, resultou num aumento colossal de queimadas e transformou o país em pária internacional, mas… foi – ao que tudo indica (batam na madeira) – aprendida.
Mas não enfaticamente e não por todos. De acordo com as pesquisas, ainda há UM TERÇO de brasileiros que enxergam tudo que aconteceu no Brasil nos últimos anos com naturalidade. Que repetem insanidades como “ameaça comunista” como se estivessem na década de 60 e acham aceitável defender um golpe de estado.
E esta é UMA das razões que tornam uma vitória no primeiro turno essencial. Assim, se você é eleitor de Ciro, Simone Tebet, Sofia Manzano, Léo Péricles, Vera Lúcia ou mesmo Felipe D´Avila e Soraya Thronicke (mas valoriza a democracia), quero apresentar alguns motivos breves para que considere votar em Lula já no primeiro turno:
1) Uma vitória no primeiro turno tornaria ainda mais difícil, para Jair Bolsonaro, alegar que a eleição foi “fraudada” – uma alegação insana, mas que (como já vimos) pode criar raízes nas mentes de muitas pessoas. Uma derrota enfática diminuiria essa possibilidade.
2) Os candidatos bolsonaristas aos governos de estado que forem ao segundo turno ficarão enfraquecidos. Com a derrota de Bolsonaro no primeiro turno, os palanques bolsonaristas se tornarão esvaziados e as candidaturas democráticas (sejam de que partido forem) ganharão fôlego que pode determinar a vitória.
3) Seria uma mensagem poderosa de que o Brasil, como coletividade, não admite o tipo de discurso de ódio pregado pelo bolsonarismo e que este não deve ter lugar em um mundo civilizado.
4) Lembrem-se dos atos de violência cometidos pelos bolsonaristas entre o primeiro e o segundo turnos em 2018 – e também os que já cometeram ESTE ANO. Não podemos permitir mais isso; imaginem o estrago que os discursos cada vez mais desesperados de Bolsonaro provocariam.
5) Há um motivo para que parte da mídia corporativa DESEJE um segundo turno: isto obrigaria Lula a fazer concessões para conseguir o apoio dos candidatos favoritos do “mercado”. Para que ele possa fazer um governo REALMENTE progressista, é fundamental que não seja forçado a esse tipo de compromisso.
6) Uma vitória de Lula no primeiro turno legitimaria ainda mais suas plataformas de governo e aumentaria as chances de que estas sejam implementadas. Aliás, para isso também é fundamental votar nos candidatos progressistas para deputados estadual e federal. Na dúvida, vote na legenda (13, 50, 65 ou mesmo – e com reticências – 40).
7) Segundo turno é uma nova eleição. Sim, provavelmente Lula vencerá de todo modo, mas QUALQUER risco é grande demais neste momento tão frágil da nossa democracia. Bolsonaro JÁ TEM projeto pronto para aumentar o número de ministros do STF caso seja eleito – e nem preciso dizer o que isto significaria.
Mesmo que seu voto seja crítico, que Lula não seja aquele que você preferiria ver na presidência, o FATO é que apenas ele e Bolsonaro têm chances reais de irem para o segundo turno. E o voto útil nunca foi tão importante - mesmo que você vote e imediatamente se prepare para criticar o governo Lula.
Muito foi dito sobre a criação de uma “frente ampla” para derrotar o bolsonarismo. Pois Lula reuniu, ao seu lado, todos os candidatos que concorreram contra ele e/ou Dilma: Alckmin, Boulos e, agora, Marina Silva. Ou melhor: todos, menos um.
Esta eleição é importante a ponto de unir adversários históricos em defesa da democracia.
Pense nisso - e no SEU papel nesta defesa – quando estiver diante da urna no dia 02 de Outubro.

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