Pular para o conteúdo principal

DIÁRIO CABOFRIENSE: MUTIRÃO FISCAL E CONSCIÊNCIA CIDADÃ

Minha coluna de hoje no jornal "Diário Cabofriense". Leia o texto logo abaixo da foto:

Nosso país vive um período complicado de crise econômica. Há poucos dias tivemos o anúncio de que o governo federal determinou cortes de 10,7 bilhões no orçamento, e que não deverão ser preservados nem investimentos, nem programas sociais. A situação é crítica, e reflete gravemente nos municípios. Já não é de hoje que a tendência tem sido de municipalizar as responsabilidades, mas e quanto aos recursos para assumi-las? Em tempo de crise geral, somem os repasses. Temos como exemplo o governo do estado, que, segundo a Secretaria Municipal de Saúde, há cerca de um ano não estaria repassando a quantia mensal de 800 mil reais para a UPA, o que já resultaria em uma dívida acumulada de oito milhões para com o município.Então percebemos que a descentralização de responsabilidades acaba funcionando como um "vire-se como puder", e jogam o ônus somente para os municípios, sobrecarregando-os de encargos sem se importarem com as condições financeiras dos mesmos. Assim os governos municipais lutam, e fazem até o impossível para tentar sobreviver nesse caos.Em nossa cidade, há outras agravantes: a cidade perdeu duplamente, pois, além da crise geral, houve a queda de uma das principais fontes de arrecadação, que são os recursos dos royalties do petróleo. Estes, se compararmos com a fartura de antes, praticamente acabaram. E, além disso, há a agravante consciencial dos cidadãos. Antes, muitos cidadãos simplesmente não pagavam IPTU e o município sobrevivia bem apesar disso, pois era grande a arrecadação vinda dos royalties. Agora, assim como em qualquer outra cidade do país, a receita dos tributos municipais é essencial para que Cabo Frio continue a sobreviver. A cidade não pode mais abrir mão da contrapartida dos cidadãos e precisa que estes exerçam seus deveres, por isso deve cobrá-los. A visão de uma cidade com farta arrecadação já não corresponde à realidade, o poder público perdeu grande parcela dessa arrecadação e ainda foi prejudicado no recebimento de repasses financeiros. Diante disso, é urgente que aqueles que possuam débitos tributários se conscientizem dessa realidade e busquem regularizar sua situação fiscal. A prefeitura, em parceria com o Tribunal de Justiça do Rio e com a Corregedoria Nacional de Justiça, lançou um mutirão de conciliação - CONCILIA - que começou na segunda-feira, dia 30, e vai até o próximo dia 13. O programa visa oferecer meios menos burocráticos para os contribuintes quitarem suas dívidas com descontos que podem chegar até 100% dos juros e multa. Com essa iniciativa, ganham todos os envolvidos: o cidadão e pessoas jurídicas obtêm sua certidão negativa de débitos, o Judiciário reduz o número de execuções fiscais e o município melhora seu crédito público. O CONCILIA acontece no CAV - Centro de Artes Visuais - de 9 as 16 horas, inclusive aos sábados e domingos.O panorama mudou, a cidade passa pela transição de fim do ciclo do petróleo. Esta fase chegaria mais cedo ou mais tarde, porém chegou mais cedo devido à crise nacional. Não adianta fugirmos dessa realidade. Agora, mais do que nunca, é tempo de uma visão menos individualista, mais participativa e colaboradora, e consciência de que, para fazermos jus aos nossos direitos, precisamos primeiramente cumprir nossos deveres. É hora de mudarmos o hábito de enxergar o poder público como o provedor de renda farta, aquele que tudo lhe cabe e que com tudo deve arcar, e exercermos uma cidadania mais consciente e com mais maturidade.

Luciana G. Rugani

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

4ª EDIÇÃO DO BARALHARTE - DISCUSSÃO DE TEMAIS DA ATUALIDADE

Ontem, sábado, aconteceu a 4ª edição do BARALHARTE!  Trata-se de um encontro de debatedores sobre quatro temas atuais, representados pelos quatro naipes do baralho e por quatro regiões diferentes de nosso país. Cada debatedor leva um tema que será debatido pelos demais e também por convidados presentes. Os debatedores desta edição foram eu, Luciana, representando o estado do Rio de Janeiro, Gilvaldo Quinzeiro, representando o Maranhão e Amaro Poeta, representando Pernambuco. Fernanda Analu, representando Santa Catarina, em razão de um compromisso de última hora, não pôde participar. Mas contamos também com as convidadas Mirtzi Lima Ribeiro e Valéria Kataki e com os convidados Hairon Herbert, Julimar Silva, Ricardo Vianna Hoffmann e Tarciso Martins. Agradeço a Gilvaldo Quinzeiro pelo convite e pela oportunidade de participar de um encontro tão engrandecedor, oportunidade que temos para aprender muito sobre variados assuntos. Cliquem abaixo para assistir: Luciana G. Rugani

CANÇÃO DO IRMÃO AUSENTE (PRECE DO AMOR)

por Luciana G. Rugani - A oração alimenta a alma e a boa música eleva nossos sentimentos. E quando temos ambas, unidas em uma só obra, que maravilha não fica! Quando a musicalidade é a própria prece, o efeito de paz em nosso ser é imediato. Fiquem hoje com essa joia, esse louvor encantador na voz de Elizabeth Lacerda. Cliquem no vídeo abaixo para ouvir: Canção do Irmão Ausente Como estiveres agora Nosso Bom Deus te guarde Como estiveres pensando Nosso Bom Deus te use Onde te encontres na vida Que Deus te ilumine Com quem estejas seguindo Nosso Senhor te guie No que fizeres tu Peço ao Bom Deus Que possa te amparar E em cada passo teu A Mão de Deus Irá te abençoar Como estiveres agora...

POEMA CIGANO

Navegando pela internet encontrei uma música cigana francesa simplesmente maravilhosa: "Parlez Moi D'elle", cantada por Ricão. Encontrei também um poema cigano encantador! Escolhi ambos para compor essa minha postagem que fica como uma singela homenagem ao povo cigano. Abaixo da foto segue o vídeo com a música e o poema logo abaixo. Assistam ao vídeo e leiam o poema. São maravilhosos! POEMA CIGANO Sou como o vento livre a voar. Sou como folha solta, a dançar no ar. Sou como uma nuvem que corre ligeira. Trago um doce fascínio em meu olhar. Sou como a brisa do mar, que chega bem de mansinho. Sou réstia de sol nascente, sou uma cigana andarilha. O mundo é a minha morada, faço dela minha alegria. A relva é a minha cama macia, meu aconchego ao luar. Acendo a luz das estrelas, salpico de lume o céu. Sou livre, leve e solta, meu caminho é o coração. Sou musica, sou canção, sou um violino à tocar. Sou como fogo na fogueira, sou labaredas inquietas. Sou alegre, sou festeira, trago...