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ACESSIBILIDADE NO EVENTO "ROCK IN RIO" 2015

Abaixo segue depoimento de Deborah Prates (advogada cega; membro efetiva do IAB - Instituto dos Advogados Brasileiros; Integrante da Comissão de Direitos Humanos, Comissão OAB-MULHER, Comissão Tecnologia da Informação (FEDERAL) e Comissão de Política de Igualdade (FEDERAL) na OAB/RJ) sobre o tratamento dedicado às pessoas com deficiência durante o evento do Rock in Rio 2015 e sobre condições de acessibilidade. Pontos positivos, conquistas e pontos a serem aprimorados:

Por Deborah Prates

CONSCIENTIZAÇÃO DA LUTA DAS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA
DIA 21 DE SETEMBRO DE 2015

Bastante distante de afirmar que a sociedade vem plenamente cumprindo a legislação relativa à pessoa com deficiência, tenho que afirmar que a experiência que vivi no dia 20 de setembro na Cidade do Rock serve para demonstrar que o Rock in Rio melhorou, em muito, o tratamento dispensado a esse seguimento representativo de 24% da população brasileira.
A edição 2013 do Rock in Rio deu um tratamento vil, desumano, aos deficientes, conforme bem provou o relatório detalhado apresentado pela CDHAJ RJ ao término daquele evento. As fotografias acostadas registram a invisibilidade das pessoas com deficiência por parte dos organizadores. 
Para essa edição - 30 ANOS - os empresários melhoraram o hostil tratamento. Como militante assídua fiz algumas palestras com o foco na ACESSIBILIDADE ATITUDINAL para o voluntariado que trabalharia na edição 2015 e o que presenciei na noite de ontem deu-me a esperança de que a insistência na mudança das más atitudes é, sem dúvida, o caminho certo para um Brasil mais igualitário em oportunidades para todos.
O espaço destinado às pessoas com deficiência em 2015 estava infinitamente superior ao vistoriado em 2013. Sem comparação! As fendas, rachaduras, no piso não mais estavam presentes; os parapeitos de segurança estavam bem fixados, valendo dizer que não balançavam; os corrimãos que ladeavam o local estavam satisfatórios; as cadeiras disponíveis para todos os que necessitavam de tratamento diferenciado eram bem confortáveis; a rampa inicial estava dentro dos padrões e tantas mais legais mudanças foram concretizadas.
O gigantesco diferencial, segundo a minha visão, residiu na CONSCIENTIZAÇÃO desse voluntariado presente nessa edição 2015. Eu, por ilustração, fui maravilhosamente bem tratada desde a minha chegada.
Respeito é bom e eu gosto!
Ah, que delícia ser recepcionada como ser humano em sua plenitude! Desde a catraca inicial a forma de tratamento a nós dispensado foi digna, rápida e eficaz. Logo fui questionada se gostaria de receber a pulseira diferenciada para as pessoas com necessidades especiais (deficientes, idosos, obesos, grávidas, limitações físicas temporárias...). A minha resposta foi que SIM. Daí, a minha acompanhante e eu não tivemos mais quaisquer contratempos quanto ao tratamento legal e humano. Fui abordada e tratada com decência e legalidade. Como me diverti nos brinquedos em geral. Pude participar de TODOS mesmo!
Só não brinquei nos espaços que não quis. Que delícia a pessoa cega sentir as emoções provocadas pela montanha russa... o vento na cara; o frio na barriga; os gritos decorrentes da experiência... que bom nos sentirmos humanos novamente!!!
PARABÉNS aos voluntários e organizadores nesse importante quesito! Todo esse diferencial já poderia ter vindo em tantas edições passadas... Mas penamos tanto até chegarmos a esse singelo ponto da evolução! Porquê???
Todavia, na história nem tudo é humanamente belo. No banheiro especial, por exemplo, a rosca/abridor das torneiras continuavam a ser de rosca!
Inacreditável verificar que o que estava escancarado no relatório apresentado pela CDHAJ RJ não fora atendido. Logo na saída de um desses locais recebi a descrição de que estaria pronta para entrar uma mulher que não tinha uma das mãos e a outra estava comprometida visivelmente. Um passo para frente e dois para trás. São essas mudanças simples e que fazem total diferença que deixa-nos exaustos de lutar.
Para quem me lê e não tem conhecimento no assunto pode parecer banal, hein? Mas, longe disso! Uma torneira de alavanca ou com sensor daria um tratamento humano às pessoas com as peculiaridades que destaquei.
Precisamos conscientizar a coletividade quanto a necessidade do cumprimento do DESENHO UNIVERSAL consagrado na Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência. Bem, as fotografias que fizemos dão conta de que algo mudou para melhor.
Convido os amigos a curtirem as novas emoções.
Tenho a esperança de que nas próximas edições, às duras penas, as situações descritas sejam corrigidas. Certo é que crescemos todos os dias e nunca ficamos prontos... A vida é complexa!
O Rock in Rio é mágico. As sensações vividas por lá são inenarráveis em questão de boas energias. Que maravilha estar incluída nessas emoções!
Que linda fora a noite de 20 de setembro de 2015!! 
Agradeço a minha filhota por ter me presenteado com o ingresso. Senti-me tão feliz...

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