Pular para o conteúdo principal

ELEIÇÕES: SOBRE O FINANCIAMENTO DAS CAMPANHAS ELEITORAIS

Hoje, ao ler a matéria publicada no UOL sobre o custo das campanhas eleitorais, novamente lembrei da reforma política tão urgente, mas tão protelada em nosso país.
Segundo a matéria, a soma do limite de gastos das campanhas de todos os candidatos já registrados na Justiça Eleitoral será de R$ 73,9 bilhões (valor suficiente para organizar três copas do mundo). Há quatro anos, este valor foi de R$ 48,4 bilhões. A matéria destaca ainda o fato de que "a diferença é que a Copa do Mundo foi custeada, sobretudo, com dinheiro público, enquanto as campanhas são bancadas majoritariamente por meio de doações feitas por empresas".  
Sem entrar na discussão dos valores, que a cada eleição aumentam vertiginosamente por diversas razões, é importante sabermos que em muitos casos o fato de estas campanhas serem bancadas por meio das doações de empresas (ou particulares) pode causar um estrago ainda maior do que se fossem custeadas por um valor público, fixo, e mais de acordo com nossa realidade.
Concordo quando a matéria diz o que todos sabemos, que "não existe preferência em termos de ideologia". Neste meio há sempre interesses, basta lidar um certo tempo no meio político para ter isso como uma verdade absoluta. Contribui-se para, lá na frente, receber a recompensa. Mas quanto danosa pode ser esta recompensa para os brasileiros em geral? Quando ouvimos notícias sobre votações que acabam por levar à destruição de nossa natureza; quando reformas sérias nas questões do combate à criminalidade não vão pra frente, por exemplo, quais as raízes de tais decisões? Logicamente, quem fala mais alto nestes casos são os interesses dos grupos financiadores que estão sendo defendidos, não há como sair fora dessa realidade, pois trata-se de um negócio, um trato firmado e remunerado para isso. Quantas empresas seguem, por exemplo, destruindo o meio ambiente, desmatando, descumprindo normas, e apesar de tudo permanecem ativas por governos e governos? 
A doação de particulares, sejam empresas ou pessoas físicas, é também uma porta aberta para entrada de dinheiro sujo e, por conseguinte, manipulação do poder, tanto no Legislativo como no Executivo. Todos sabemos que não são poucos os que aproveitam deste recurso para "lavar" o dinheiro oriundo de atividades ilegais, ou mesmo derivado de abuso de poder de alguma autoridade, aquele dinheiro que não pode ser declarado. Pessoas físicas, utilizadas como "laranjas" para esconder a verdadeira origem do dinheiro, figuram como doadores de campanha no lugar dos verdadeiros colaboradores. Há inúmeros esquemas bem elaborados para trazer verba para campanha e ao mesmo tempo atrelar, amarrar o candidato aos interesses dos financiadores. Isso sem falar nos gastos não declarados, dos quais de vez em quando ouvimos notícias de apuração por parte do Ministério Público.
Nos dias atuais, tempo em que a criminalidade e as irregularidades possuem ligação cada vez mais estreitas com o poder, a reforma política se faz urgente, principalmente no que toca ao financiamento de campanhas. Muitas máfias disso ou daquilo mantêm-se no poder devido a estes esquemas milionários de financiamento. É parte da triste realidade brasileira...

Luciana G. Rugani

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

4ª EDIÇÃO DO BARALHARTE - DISCUSSÃO DE TEMAIS DA ATUALIDADE

Ontem, sábado, aconteceu a 4ª edição do BARALHARTE!  Trata-se de um encontro de debatedores sobre quatro temas atuais, representados pelos quatro naipes do baralho e por quatro regiões diferentes de nosso país. Cada debatedor leva um tema que será debatido pelos demais e também por convidados presentes. Os debatedores desta edição foram eu, Luciana, representando o estado do Rio de Janeiro, Gilvaldo Quinzeiro, representando o Maranhão e Amaro Poeta, representando Pernambuco. Fernanda Analu, representando Santa Catarina, em razão de um compromisso de última hora, não pôde participar. Mas contamos também com as convidadas Mirtzi Lima Ribeiro e Valéria Kataki e com os convidados Hairon Herbert, Julimar Silva, Ricardo Vianna Hoffmann e Tarciso Martins. Agradeço a Gilvaldo Quinzeiro pelo convite e pela oportunidade de participar de um encontro tão engrandecedor, oportunidade que temos para aprender muito sobre variados assuntos. Cliquem abaixo para assistir: Luciana G. Rugani

CANÇÃO DO IRMÃO AUSENTE (PRECE DO AMOR)

por Luciana G. Rugani - A oração alimenta a alma e a boa música eleva nossos sentimentos. E quando temos ambas, unidas em uma só obra, que maravilha não fica! Quando a musicalidade é a própria prece, o efeito de paz em nosso ser é imediato. Fiquem hoje com essa joia, esse louvor encantador na voz de Elizabeth Lacerda. Cliquem no vídeo abaixo para ouvir: Canção do Irmão Ausente Como estiveres agora Nosso Bom Deus te guarde Como estiveres pensando Nosso Bom Deus te use Onde te encontres na vida Que Deus te ilumine Com quem estejas seguindo Nosso Senhor te guie No que fizeres tu Peço ao Bom Deus Que possa te amparar E em cada passo teu A Mão de Deus Irá te abençoar Como estiveres agora...

POEMA CIGANO

Navegando pela internet encontrei uma música cigana francesa simplesmente maravilhosa: "Parlez Moi D'elle", cantada por Ricão. Encontrei também um poema cigano encantador! Escolhi ambos para compor essa minha postagem que fica como uma singela homenagem ao povo cigano. Abaixo da foto segue o vídeo com a música e o poema logo abaixo. Assistam ao vídeo e leiam o poema. São maravilhosos! POEMA CIGANO Sou como o vento livre a voar. Sou como folha solta, a dançar no ar. Sou como uma nuvem que corre ligeira. Trago um doce fascínio em meu olhar. Sou como a brisa do mar, que chega bem de mansinho. Sou réstia de sol nascente, sou uma cigana andarilha. O mundo é a minha morada, faço dela minha alegria. A relva é a minha cama macia, meu aconchego ao luar. Acendo a luz das estrelas, salpico de lume o céu. Sou livre, leve e solta, meu caminho é o coração. Sou musica, sou canção, sou um violino à tocar. Sou como fogo na fogueira, sou labaredas inquietas. Sou alegre, sou festeira, trago...